sábado, 6 de outubro de 2007

OJO! Uma perspectiva da filosofia, vista por um amador



LN esteve por cá, com xanatinhas muito suaves, muito piano piano: « Da filosofia - e do conhecimento do Ser - às ontologias web, aos agrupamentos thesaurus :) Assim, distante da disciplina filosófica, estudar ontologias torna-se no definir categorias para as coisas, de um mesmo domínio. Em computação e inteligência artificial é mais ôntico do que ontológico... todavia, estou se calhar a recusar a apropriação da mesma palavra para um sentido tão diverso...»

Óbvio, LN irá ajudar-nos no resto do percurso, até porque mais volta menos volta andaremos sempre no caminho das pedras. Entendo eu, que o apressado cheirinho a excesso que possa estar no «tão», exactamente na última afirmação de LN, não sei se acabará por se consolidar. Até porque lidamos com metodologias diversas: a metodologia das ciências da computação e a(s) metodologia(s) da Filosofia.

Enunciemos então, algumas dificuldades à partida para o road map, que poderá muito bem ser: [Racionalismo, C. Wolf] » [Kant] » Heidegger » Quine. Deixarei de fora, todas as ontologias que tenham a ver com a existência de Deus + Hegel + Marcuse + …

(1) Ôntico não tem correspondência directa em inglês (referring to the living being). Isso retira espaço de pesquisa porque o termo não aparece referenciado na maioria dos livros que nos servem de apoio, uma vez que nós, só por nós, nada sabemos.
Recorrendo às fontes e explicitando – no meu entendimento – o que nos traz LN, assim teremos:
Ôntico: relativo ao ser; em Heidegger, que se refere ao existente, isto é, à ordem do dado concreto da experiência, e não ao ser em si mesmo. Ontológico « Ontologia: parte da metafísica que estuda o ser em si, as suas propriedades e os modos porque se manifesta;
Wolf separou a «sua ontologia» dos outros ramos da metafísica e tentou construir um sistema dedutivo coerente capaz de explicar existência e não existência.
Está fora de causa vir aqui com pretensiosismo de ciência da última hora, o que me interessa para já, é ir buscar fulcros para alavancar a evidência de n ontologias, citadas por quem sabe.
Kant quebrou as ligações com a metafísica de Leibniz, com a metodologia de modelação da filosofia apenas com base no método dedutivo. Também há uma «ontologia de Kant». A própria epistemologia de Kant está na ontologia de Kant. Mas para Kant não é o mundo de coisas-em-si-mesmas que determina a sua ontologia mas sim o sistema categorizacional espaço-temporal das relações dos fenómenos. É importante anotar aqui, que a ontologia pode claramente ser separado da epistemologia. A epistemologia de Kant é uma metateoria das pressuposições e dos métodos cognitivos da física clássica. A ontologia categorizacional de Kant é derivada das leis naturais que são suportadas e confirmadas pela evidência empírica das estruturas gerais do mundo físico clássico. Com isto, a ontologia transformou-se numa interdisciplina, pela primeira vez dentro da história da filosofia e da ciência e os resultados científicos foram completa e filosoficamente generalizados. Este é também um ponto importante no desenvolvimento da ontologia das ciências.
A solução de Kant (na sua polémica filosófica com Empiristas e Racionalistas), em essência, foi a de que a experiência nos dá o conteúdo (elemento sintético) e a mente proporciona-nos a estrutura (elemento a priori) que determina o modo como o conteúdo será organizado e compreendido. [nota: já disse por aqui que esta estrutura a priori me preocupa… em termos de ciências da computação]

Kant chama à contribuição da mente uma “categoria”. Distingue quatro grupos de categorias pelo quais os conteúdos das experiências são distribuídos: quantidade, qualidade, relação, e modalidade. Os exemplos de categorias específicas dentro destes grupos são espaço, tempo, causalidade e substância (comparação). Estas categorias são apenas a prescrição da estrutura para objectos de possível experiência.

Chegados aqui, claramente (?!) se vê a falta de uma anotação importante para todo este esboço de discussão crítica:

Na perspectiva de Kant, a mente não é «desenhada» pelo domínio da experiência; em vez disso, o domínio da experiência é configurado pelos padrões propostos pela mente.

Ah!Ah! aqui as ciências da computação não alinham na perspectiva Kantiana.

A máquina aprenderá os contornos do domínio da experiência, reconhecerá os padrões característicos ou seja poderá traçar o carácter do domínio e será capaz de propor as categorias.

Óbvio, ainda não estamos lá, andamos perto, no mínimo sabemos o que queremos da máquina.

O que há de bom na filosofia de Kant é a enorme influência exercida, sobretudo sobre aqueles que se opuseram às suas propostas.

Pensar Kant, a sua ontologia, as questões filosóficas que Kant ‘plantou’ são exercícios de vida activa que ajudam a ultrapassar a nebulosidade para onde a nossa vida profissional nos empurra. Cada vez mais.



Continuaremos...


O laboratório caseiro tem estado de olho atento na “ontologia dos blogues da Educação Superior”
O laboratório caseiro também está de olho atento na “ontologia do De Rerum Natura”.
Sou leitor «quase assíduo» do espaço que Desidério Murcho reserva para si no colectivo diversificado e saudável que dá pelo nome “De Rerum Natura”.
Para a nossa conversa de hoje, trarei três textos do DM e aconselho quem não viu que são coisas giras e mais simpáticas do que estas que ando por aqui a perorar: Russell e o éter e Filosofia não gera dinheiro? E ainda Para que serve a Filosofia?
Russell teve direito a 10 comentários e o dinheiro da filosofia teve (só) 60 comentários, honrosamente, para que serve a filosofia gerou 28 comentários; aqui se reforça a já bem conhecida asserção: «Como! Logo Penso»
O resultado da contenda ou da aritmética parece tal qual um jogo de Rugby.

Do post sobre Russell (por quem tenho incomensurável respeito intelectual) interessa-me extrair a frase: “Além de exibir o seu saudável humor, esta carta mostra a importância que Russell dava à sua actualização científica, pois não concebia a filosofia como uma actividade independente das outras actividades cognitivas humanas, nomeadamente a ciência, nem superior a elas.”

Da «filosofia não gera dinheiro» ficaríamos só com “ O que precisamos no nosso país é de abandonar a mentalidade aristocrática e ensimesmada que faz da filosofia (e de outras actividades potencialmente geradoras de riqueza) uma actividade economicamente inviável.”


Para que serve a Filosofia, ajudou-me ou serviu-me o seguinte naco de prosa: “…algumas pessoas têm a sensação que a filosofia nada tem a ver com coisas práticas do mundo. Isto é falso. Nem todas as disciplinas da filosofia são tão teóricas como a teoria do conhecimento ou a metafísica ou a filosofia da linguagem. As áreas mais aplicadas da filosofia, como a ética, a filosofia da arte ou a filosofia política, têm relações óbvias e importantes com o mundo social, político e artístico.»
……………………… …………………………………………….
Nota técnica:
Como já é tradição, fica aqui expresso que nada do que por aqui foi escrito é originalidade da minha lavra. Leio muito, sou daqueles totós que vão às Finanças e levam um livro para ler, no balcão, nesses instantes o «homem do Fisco» imita o gesto de Goebbels: vai ao bolso e… tira a esferográfica; faço o mesmo no Pendolino e ando a magicar como vou fazer isso ao longo dos meus 60 mil quilómetros anuais de 4 rodas. Mas, tenho de ser minimamente digno e soletrar alguns dos textos que me deram justificação para o que aqui escrevi, ontem, hoje e amanhã:
● Não tenho nenhum prurido em dizer ao mundo que os livros mais consultados por mim são os dicionários (11), o que me faz recordar da infância conversas da barbearia Sobral (minha primeira universidade) em que aprendi a chamar ao dicionário: “Pai dos burros”, assim seja, já que o mundo dá muita volta. Tanto é assim, que sou obrigado por força da distribuição a triplicar alguns destes recursos face à ubiquidade do meu invólucro físico.
O QUE TENHO ANDADO A LER:
● Kant’s Theory of Mind, (Oxford Press, 2000), livro de Karl Ameriks
● Mind: Introduction to Cognitive Science (MIT Press, 2005), livro de Paul Thagard.
● Philosophical foundations of neuroscience; (Blackwell, 2003), livro de Bennett & Peter Hacker
● Language and Ontology. (1982); Proceedings of the Sixth International Wittgenstein Symposium. Editores: Werner Leinfellner, Eric Kraemer, Jeffrey Schank
e também o Damásio... e também o Russell... e também o «arco-da-velha».

6 comentários:

Virgílio A. P. Machado disse...

Solução para os 60 mil quilómetros anuais de 4 rodas:
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Simply Audiobooks
Recorded Books
NetLibrary
AudiobookStand
Gateways
Boas viagens!

Alexandre Sousa disse...

Vou buscar!

Thanks a lot.

LN disse...

Demorei... mas fui pensando no assunto. Continuo a relevar o tom do escrito, que tira a im-permeabilidade de algumas coisas.

Notável, o que o Alexandre de Sousa anda a ler… e sorri-me dos comentários às 3 entradas de DM.

Kant... bom, vale a pena tirar o chapéu à arquitectura da razão. Pese embora que Kant nunca saíu de Konigsberg e multiculturalidade ou cibernética lhe seriam estranhos (e sim, gosto da figura, nalgumas perspectivas).

Também gostei das xanatinhas... risos.

A minha referência ao ôntico é heideggeriana - porque o Dasein, traduzido por "ser-aí" proporciona o entendimento do Ser em níveis de conhecimento: ôntico e ontológico. Passamos da teoria do conhecimento para a metafísica e depois para a ontologia.

Quando usei ôntico, estava a pensar que o Ser "determina-se" no ente pela presença do ser.
Se quisermos dizer de modo simples, o ôntico é o domínio dos objectos.
E o conhecimento científico é da esfera do ôntico.
Mas, ao mesmo tempo, para que o conhecimento científico seja possível, tem uma raíz no sujeito que "pré-compreende" o ente. Isto é, para que eu possa perceber e receber os objectos, preciso, de uma certa maneira, de antecipar o ser dos objectos.

No ontológico, o encontro do Ser consigo mesmo, um "lugar" próprio que é sede e fundamento do Ser.
E aí passa da teoria do conhecimento para a ontologia.
Para a indagação sobre o Ser.

Só nós - os seres humanos - existimos na concepção de um Dasein capaz de revelar-se, sem se esgotar ou se identificar com o ser-aí.

ok, ficou meio estranho mas é essa a razão do «tão» diverso. Até por mudar de esfera.
Não sou filósofa (risos) embora me afilie em Filosofia. Por isso, a ideia da disciplina filosófica está «instalada» no meu pensamento.
A utlização das «ontologias» em ligação á web, sendo que não me choca, faz-me interrogar sobre a razão de usar uma palavra igual num sentido diverso, quando podia ser criada uma nova palavra...

compliquei?
:)

Alexandre Sousa disse...

Continuando este nosso esforço (sem cansaço) de praticar o espírito do blogue, dando asas a uma das nossas diferenças que provem do facto de eu «não ser do método e da disciplina da filosofia» vou ficar para ver o que resulta da última linha do apontamento LN. É isso mesmo, o deslumbramento dos que são viciados em computação resulta muitas vezes em apropriação pela rama, de palavras, pensamentos e propostas que são agarradas a partir de outras áreas com ambas as mãos, mas também com ambos os pés.
Agora não há mais remédio senão o de continuar a andar. Ontologia, vista pelas pessoas de Stanford que trabalham feio e forte na floresta da Web mostra bem que a palavra não tem o significado original da filosofia. A própria definição mais repetida e mais adoptada – Gruber, 1993 – é em si própria vitima de fraca sedimentação ou se quiser, do não-método que se pratica tantas vezes nesta arte-ciência. Vou deixar aqui as anotações do “pai da criança”, porque fazem parte dos meus manuscritos e também do trabalho de casa deste fim de semana. Continuamos…
Tom Gruber: «Short answer:
An ontology is a specification of a conceptualization.
The word "ontology" seems to generate a lot of controversy in discussions about AI. It has a long history in philosophy, in which it refers to the subject of existence. It is also often confused with epistemology, which is about knowledge and knowing.

In the context of knowledge sharing, I use the term ontology to mean a specification of a conceptualization. That is, an ontology is a description (like a formal specification of a program) of the concepts and relationships that can exist for an agent or a community of agents. This definition is consistent with the usage of ontology as set-of-concept-definitions, but more general. And it is certainly a different sense of the word than its use in philosophy.

What is important is what an ontology is for. My colleagues and I have been designing ontologies for the purpose of enabling knowledge sharing and reuse. In that context, an ontology is a specification used for making ontological commitments. The formal definition of ontological commitment is given below. For pragmatic reasons, we choose to write an ontology as a set of definitions of formal vocabulary. Although this isn't the only way to specify a conceptualization, it has some nice properties for knowledge sharing among AI software (e.g., semantics independent of reader and context). Practically, an ontological commitment is an agreement to use a vocabulary (i.e., ask queries and make assertions) in a way that is consistent (but not complete) with respect to the theory specified by an ontology. We build agents that commit to ontologies. We design ontologies so we can share knowledge with and among these agents. »

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