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segunda-feira, 30 de junho de 2008

Estratégia, afinal é coisa séria

Para coordenar a intervenção de âmbito regional , Prof. Rosa Pires integra equipa Reitoral da UA
A Reitora da UA, Maria Helena Nazaré, acaba de nomear Artur Rosa Pires, para coordenar a intervenção de âmbito regional. Neste sentido, lhe caberá (a ele) a responsabilidade de exercer a coordenação de todas as acções pertinentes em matéria de cooperação para o desenvolvimento regional, nomeadamente as que decorrem do protocolo assinado com a Grande Área Metropolitana de Aveiro e a Associação Industrial do Distrito de Aveiro.

O
Despacho Reitoral Nº 12-R/2008, de 26 de Junho de 2008 justifica a nomeação, podendo ler-se no Despacho que :
«A Universidade de Aveiro definiu a cooperação com a sociedade como parte intrínseca da sua missão. Tal traduz o propósito de contribuir, de forma activa, para o desenvolvimento social, económico e cultural, através de parcerias com instituições terceiras. Neste particular assume especial relevância a participação da UA em estratégias de qualificação e desenvolvimento de âmbito regional.


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A experiência adquirida, os resultados entretanto obtidos, que levaram à multiplicação de iniciativas, em particular através do Programa de Apoio à Governação Regional de Aveiro, e a entrada do Quadro de Referência Estratégica Nacional em fase operacional permitem, não só confirmar a validade da opção tomada, como tornam evidente a necessidade de reforçar a coordenação estratégica das parcerias estabelecidas, ou a estabelecer, designadamente entre a UA, autarquias e empresas. Tal reforço é fundamental para possibilitar uma intervenção institucional consistente, maximizando o seu impacto na região e racionalizando a utilização dos recursos necessários.

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Moral da história:
Parece que há coisas que se ensinam na educação superior, custosas de implementar nas próprias instituições, mas de quando em quando, lá vai uma lança em África...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

NO COMMENTS

From: "Reitoria"
Sender: "Lista Geral da UA - SRE" ,
Subject: COMUNICADO DA REITORIA
Date: Wed, 25 Jun 2008 17:42:57 +0100
To: "Lista Geral da UA - SRE"

Comunicado da Reitoria da Universidade de Aveiro

A Universidade de Aveiro, como qualquer outra instituição pública ou privada, tem estado sujeita aos constrangimentos provocados pela disciplina orçamental com que o país se vem confrontando com vista à redução do deficit das contas públicas. Neste quadro, o financiamento proveniente do orçamento do Estado, destinado às despesas de funcionamento tem mantido, nos últimos anos, aproximadamente o mesmo nível em termos nominais. No entanto, no corrente ano de 2008 verificou-se a necessidade de fazer face a novos encargos, por imposição do Estado, decorrentes do aumento da taxa de desconto sobre as remunerações dos funcionários, para a Caixa Geral de Aposentações, e da actualização salarial da função pública; encargos, repete-se, não previstos no orçamento atribuído. Esta situação foi apresentada e discutida com o MCTES que não descartou a possibilidade de reforçar o orçamento das Instituições do Ensino Superior que disso manifestamente careçam, embora tal só seja possível depois de equacionadas todas as alternativas, entre elas o recurso aos saldos tecnicamente não consignados. Esses saldos, a que a Universidade de Aveiro está a recorrer para fazer face ao aumento dos seus encargos de funcionamento, motivado pelas duas razões aduzidas (aumento dos descontos para a CGA e actualização salarial da função pública), são verbas de receitas próprias de que pode transitoriamente dispor por não estarem taxativa e imediatamente consignadas a projectos ou fins específicos.
Esta situação não é tecnicamente diferente do que está a acontecer noutras Instituições de Ensino Superior e não coloca em causa nem o pagamento de bolsas, nem a normal execução dos projectos de investigação, nem, genericamente, qualquer outra vertente da actividade da Universidade de Aveiro. Espera-se, é claro, que a instituição venha a ser ressarcida, através do reforço das verbas do orçamento do Estado, para assim repor a posição anterior e poder continuar a garantir boas condições de funcionamento.

Aveiro, 25 de Junho de 2008

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Professors as producers (III)



O Professor na sua qualidade de produtor aparece muitas (algumas) vezes como proponente de coisa novas. 11 em cada 10 dessas propostas inovatórias estão condenadas ao fracasso, a não ser que a ideia tenha nascido na cabeça de quem esteja vestido com a camisola de Reitor/Presidente ou no mínimo de Vice-Reitor candidato a Reitor. Porquê? Por via da tal «democracia» académica, uma vez que a ideia não é minha, outras vezes porque essa ideia é melhor do que a minha, então:

H1: a proposta fica sentada numa cadeira perto de mim;
H2: a proposta vai dar uma volta a pedir vários pareceres e pode ser que volte um dia destes;
H3: esta proposta não tem pernas para andar;
H4: parece impossível, Alexandre! Lembrares uma coisa destas?!

Sou do tempo em que o Professor de Economia numa Escola de Agronomia tinha de ser engenheiro agrónomo. Um Professor de Sociologia na Faculdade de Farmácia tinha de ser farmacêutico. Todos os professores da Faculdade de Medicina têm de ser médicos ou no mínimo, licenciados em medicina, mesmo que ensinem estatística. Por estas e por outras, um pouco por toda a Europa, pelo menos um dos administradores da universidade passou a ser obrigatoriamente economista, gestor ou no mínimo, alguém com formação aparentada com a administração pública. Passa-me pela cabeça que os Governos, necessitados de evidenciar eficácia na gestão das IES públicas, foram sugerindo aos Reitores/Presidentes que dessem um ar de graça às equipas dirigentes das suas entidades, mantendo como objecto a educação superior mas enviesando a pilotagem do seu dia-a-dia com uma aragem empresarial. No sítio a que (ainda) pertenço, a abertura está preparada desde alguns anos atrás e obviamente, o foco apontado para fontes de financiamento, mesmo correndo o risco de que se cumpra aquele mandamento que diz:
- Quem paga, escolhe a música para o maestro tocar!
São riscos e os teóricos do costume, da política, da TV e dos blogs, cansam-se de acusar os portugueses como avessos ao risco. Palpita-me que, anda muita gente enganada por aí e não é só por chegar tarde a casa, não.

Recentemente, admirava-se alguém da Catalunha, que o documento de identidade do pessoal da Universidade de Barcelona pudesse ser ao mesmo tempo um cartão vinculado a uma importante entidade financeira catalã. Vai daí, pus a mão à carteira e saquei o meu cartão pessoal da Universidade de Aveiro. Querem adivinhar que o meu cartão possui o símbolo da CGD, tem o meu número de funcionário e está assinado pelo vice-reitor Assunção??? Tal como diz o meu amigo catalão: O sector privado não se pergunta que pode fazer pela universidade pública, mas sim o que pode dela sacar. Nota: o autor nunca acreditou que a CGD fizesse parte do sector público; que o diga Santos Ferreira, Armando Vara & outros muchachos.

Como produtor (livros, música, filmes, disciplinas, cursos,…) fui desafiado por uma multinacional portuguesa – não são muitas, mas algumas há, por aí – para estudar uma proposta Sim ou Não a uma Universidade Empresa. O administrador e dono do desafio já tinha visto alguns números de circo desempenhados por mim e passa-lhe pela cabeça, que eu consigo dizer, descodificadamente, o que muita gente vende à palavra e em Euros. OJO! Que já fiz o preço.

Como os meus leitores são mais ou menos 1/3 dos da minha amiga Regina, posso sem grande perigo, ir deslindando a meia dúzia de linhas ou conjecturas ou ainda lucubrações, que põe a nu este problema. Sem pôr em perigo a (minha) factura.
Universidade-Empresa? Mas então, se as funções básicas das IES, que são a docência e a investigação, também passam por um processo mercantilista, que mal tem, uma multinacional, mais a mais dirigida por filhos do povo, pôr à disposição dos seus operários, encarregados, capatazes, uma Universidade? Politécnico não, que aquilo anda mal cotado na Bolsa.
Calma! Uma universidade da empresa não faz mais nem menos do que faz uma universidade pública. Trata-se de oferecer ao seu pessoal apenas aquilo que o mercado procura. O mercado não quer filósofos? Então a universidade pública também não. Já agora, porque é que a universidade-empresa vai perder tempo com filósofos? Claro, claro que está fora de causa, contratar ou renovar contratos com gente que nada mais sabe senão ensinar filosofia ou investigar a actualidade das ideias de Kant. Afinal, ambos estamos de acordo, quer os públicos, quer os semi-públicos. Os privados não contam.
Importante é reconhecer a quantidade significativa dos jovens que aparecem dia a dia - nas escolas de gestão – a entupir formulários e inscrições, em disciplinas e cursos aparentados com a Galp, com a Opep, com a Eficiência Energética, Martifer and so on, and so on. Para esses sim. Temos bolsas oferecidas por Amorins, Azevedos, Violas, Pires de Lima & outros músicos; eventualmente também poderão aparecer candidatos alternativos a fornecedores de bolsas, por exemplo, Manuel Pinho, Mário Lino & outros muchachos.

Confesso, estou hesitante. Olho para qualquer Universidade importante, seja Porto-Gaia por acaso, tantos, tantos são, tamanha é a quantidade de grupos de investigação, institutos, observatorios, centros disto e daquilo e ainda, outras instancias para o conhecimento e os projectos de investigação pura, que, se alguém mais distraído apenas observa a brilhante superficie, fica siderado, impressionado. Que grande Universidade nós temos! Diz o meu cliente (o tal que quer ter uma universidade na empresa), que não existe evidencia de que a quantidade seja sinónimo de qualidade. Oh! Doutor: -Tudo vai do peso representativo da avaliação das universidades públicas: quanto pesam os artigos em publicações daquelas de forte impacto, quantas horas de aula estiveram disponíveis (mesmo que tenha sido às moscas), quantas vezes os nossos docentes foram ao estrangeiro, quantos ECTs de gestão, etc. & coisa e tal. É isso Doutor, é só isso!

Nesta hora de abrir a alma (o corpo de nada vale) assalta-me a maldita da dúvida metódica:
Se a Universidade-Pública que tanto publica e ninguém lê, se tem uma administração de trampa, se por ali ninguém pensa nem reflecte, nem questiona sobre o que faz, o que devia fazer, e passa a vida a trautear sobre competitividade e excelência, se aquilo em rigor não conta para o preço dos combustíveis, porque diabo é que vamos estragar a empresa e levar coisas destas para lá?
Maus exemplos? Cruzes canhoto! Te arrenego Belzebú. Vá de retro Tinhoso.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Reportagem verdadeira contada a mentir



Ciência: Sócrates lança medidas de "continuidade" no apoio ao desenvolvimento científico

Aveiro, 12 Maio(Lusa) -
O primeiro-ministro disse hoje que "a aposta política fundamental" do Governo na Ciência "se não for continuada perde-se", realçando que o investimento público nessa área teve o maior crescimento desde o 25 de Abril.
José Sócrates falava na "progressista" Universidade de Aveiro, onde foi apresentar um conjunto de novas medidas para a Ciência, que incluem a criação de cátedras convidadas nas universidades, o lançamento de bolsas para estudantes que se associem a centros de investigação durante a licenciatura, e a contratação de mais 500 doutorados.

“MAIS CIENTISTAS PARA PORTUGAL”
Jornal Público (12Maio) toda a página 14 «anuncio pago pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia

A democracia tem razões que o interesse do país desconhece.
Ontem era a aposta na lista de jogadores da selecção de Scolari.
Hoje foi a declaração da troca de petróleo por alimentos.
Não há direito de escreverem assim tanta tortuosidade.


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Primeiros investigadores de alto nível a caminho da Universidade de Aveiro
A Universidade de Aveiro vai receber as duas primeiras cátedras convidadas na área das energias renováveis e telecomunicações, envolvendo, respectivamente, as empresas Martifer e Nokia Siemens Networks. A assinatura dos acordos entre a UA, as duas empresas e a Fundação para a Ciência e Tecnologia foi testemunhada pelo Primeiro-Ministro José Sócrates e pelo Ministro Mariano Gago, ontem (12 de Maio), na cerimónia de lançamento do Programa do Governo «Ciência 2008 – Mais Cientistas para Portugal» que decorreu na UA.

Atrair para Portugal investigadores de alto nível internacional e apoiar as instituições do Ensino Superior no seu esforço de internacionalização e de estabelecimento de parcerias com outras entidades. É este o objectivo da criação das Cátedras Convidadas, uma das novas iniciativas governamentais para o desenvolvimento científico português, anunciada a 12 de Maio, na UA, pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, José Mariano Gago, numa cerimónia presidida pelo Primeiro-Ministro, José Sócrates.A Universidade de Aveiro e as empresas Martifer e Nokia Siemens Networks deram assim os primeiros passos para a concretização deste objectivo governamental que, até 2009, prevê a celebração de contratos-programa entre a FCT e instituições científicas, em articulação com instituições de ensino superior universitário, visando o co-financiamento até 50 Cátedras Convidadas, em parceria com empresas, fundações ou outras entidades.Entre o conjunto de iniciativas anunciadas no âmbito do Programa «Ciência 2008» - um investimento de 400 milhões de euros para investigação e ciência - figura a criação de 5 mil bolsas para a integração de 5 mil estudantes de Ensino Superior na Investigação, mil novos contratos de trabalho para investigadores contratados e o lançamento de concursos para novas bolsas de investigação.

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Vai daí a minha boca abriu-se de espanto. É que este anúncio é de 2005.

Onde está Martifer deveria ler-se Bosch Termotecnologia SA, será que…
Pois é; não é Zé?

quinta-feira, 8 de maio de 2008

NO COMMENTS!

From: "Reitoria"
Sender: "Lista Geral da UA - SRE" ,
Subject: CONVITE - Apresentação da iniciativa Ciência 2008 com a presença de S. Ex.ª o Primeiro-Ministro
Date: Thu, 08 May 2008 10:42:33 +0100
To: "Lista Geral da UA - SRE"

Caros membros da comunidade universitária,

O Senhor Primeiro-Ministro, Eng.º José Sócrates, e o Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Prof. José Mariano Gago, deslocam-se à nossa Universidade, na próxima segunda-feira, dia 12 de Maio, para efectuar a sessão de lançamento das novas iniciativas para o desenvolvimento científico nacional “Ciência 2008 – Mais Cientistas para Portugal”.

A Universidade de Aveiro acolherá esta iniciativa do Governo, que se reveste de especial interesse para a área da investigação ao divulgar as orientações estratégicas e os novos instrumentos de apoio neste domínio. Assim, convido a comunidade a participar neste evento, que se desenrolará no Auditório da Reitoria, com início às 11h00.

A Reitora

Maria Helena Nazaré

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Será que as empresas sem Agenda, têm futuro?

Nem sequer estou hoje particularmente bem disposto. Passei por uma das empresas onde facturo boa parte do meu salário médio e vi uma página A4 pendurada por cima do relógio de ponto das instalações fabris. Dizia por lá, que o José Gonçalves iria substituir António Castanheira e que a sua função principal seria a de organizar a produção.
Estamos a falar de um universo povoado por 300 pessoas. Sector industrial: construção metálica. Quadros superiores e intermédios na ordem de 10% do pessoal.
Falei com Gonçalves, desejei-lhe boas vindas, perguntei coisas sobre o trajecto profissional & etc. coisa e tal. Fiquei pensativo, a tentar perceber que raio de ideia era aquela, a do «dono», administrador de empresa, ir buscar um “encarregado” a uma empresa concorrente mais pequena e trazer o «nosso homem» para – diz no papel – organizar a produção.

Fiquei curioso, desejoso de assaltar o carro deste administrador de empresa e perscrutar a agenda, a sua agenda, onde ele seguramente anota o futuro da sua empresa, pior do que isso, o futuro daquelas 300 pessoas.

Desanimado, dei meia volta e vim sentar-me numa esplanada junto à praia de Francelos. Voltei a ligar o HP/Compaq e regressei ao texto da Regina sobre o futuro dos Politécnicos.

Imaginei o carro do administrador da nossa Educação Superior. Lucubrei modos de lhe assaltar a agenda.
Vieram-me à memória as últimas folhas A4 que Zé Mariano mandou afixar junto aos relógios de ponto de universidades e politécnicos.

Como será a agenda de Zé Mariano?

Como será o futuro de milhares de pessoas que fazem da educação superior o seu modo de vida?

oh! Portugal, Portugal, de que é que estás à espera…


Regina Nabais e o seu combativo Polikê, coloca-nos a todos, aos da educação superior (patamar de cima) e aos da educação superior (patamar de baixo), 11 questões sobre o momento dos politécnicos, cada uma delas a merecer justificada inquietação, quanto mais não seja pela ausência de preocupação por parte da generalidade dos sábios deste país.
Tenho a desdita e a má sorte de gostar das canções do Jorge Palma. Mais ainda, daquele refrão em que ele canta: - oh! Portugal, Portugal, de que é que estás à espera…
Todas estas minúsculas políticas à portuguesa me merecem um profundo e sentido desprezo. Quem manda as bocas, esconde-se! Quem diz que não, não se explica! Quem maneja títeres e bonecos de trapos, olha para o resto do maralhal com aqueles óculos à rica, como quem diz: - Embrulha!
A esse(s) respondo com aquele gesto tão ao gosto do Zé Povo.

Pela minha parte, não fujo ao combate.
Sou defensor da solução aveirense, no respectivo contexto regional, onde as ideias e a estratégia de Júlio Pedrosa, procuraram criar escolas pequenas em aldeias industriais, tendo como esqueleto de serviços e recursos uma organização própria de âmbito mais amplo.
Mas isso não me impede de dizer que o Politécnico de Lisboa possui background q.b. para se tornar numa grande escola modelo do que pode ser um politécnico orientado para a indústria pura e dura. Nada disso impediria que este politécnico da cidade grande tivesse escolas filiadas, fossem elas em Santarém ou em Setúbal.
Quem, por distracção ou outra motivação, tenha vindo a seguir o percurso do politécnico de Leiria, percebe que esta escola não é exactamente igual às outras.

Aquilo que me tira do sério e me faz dizer impropérios e chamar nomes a pessoas bem vestidas e bem cheirosas que são DONOS da educação superior, é este irritante e continuado “mandar bitaites” do cimo da burra, sem dar a oportunidade às respectivas comunidades de discutir o seu destino, desenhar as suas estratégias e planos de sobrevivência e ser capaz de debater com essas mesmas comunidades numa postura digna e de Estado.


quarta-feira, 23 de abril de 2008

Is Open Access Teaching the future?


Roubado que está, parte do título, à Scientific American Magazine desta semana, porque sim, porque afinal todos somos culpados de pensar pouco, debater menos, rabiar (se possível) só de fraque, regressemos às questões que verdadeiramente nos interessam.

11 em cada 10 questões que me colocam nos Montes Urais, tem a ver com o formidável impacto que toda a máquina de informação norte-americana causa nas várias redes distribuídas pela WEB. Aquela malta (nós também) consome quilómetros e quilómetros de pixels, desinquieta, perturba, empurra tudo quanto é “macaco” da educação para novas formas de pensar, operar e agir.
Dormindo eu, pouco mas seguido, revisito com facilidade a enormidade de tarefas a que portuguesmente me entreguei ao longo dos anos, a maior parte das quais nunca foi concluída. Uma delas, regressa agora à actualidade, embora os eixos não sejam coincidentes, nem a direcção, nem o sentido. O ponto de partida é invariavelmente o mesmo:
- Que transformação para esta aprendizagem, para esta ensinagem, para esta instrução ?!

Não é possível transladar modelos norte-americanos como se procedêssemos a uma operação de mapeamento, ponto por ponto. Já discuti isso com quem sabe: Eric Mazur, Richard Felder, Rachel Brent, Diana Oblinger,… Europa é Europa, ponto final.

Nos dias mais chegados, voltei a ter a prova de que construir a folha de Excel, capaz de arrumar os ECTs no puzzle do Bologna Process, é coisa de miúdos. O que pede meças é a construção de modelos distintos e experiências diferenciadas e muita coragem para erguer a chamada escola nova. Há 10 anos atrás, com a camisola da FEP(UP) e o dinheiro à medida de um “intelligence agent” andei a soldo da Agência de Inovação, nos campus de Aalborg, uns bons pares de meses a tentar perceber de que se tratava aquilo. Mais tarde, encontrei reitores e reitoras da Universidade de Aveiro com ‘pin’ e ‘badge’ a debitar tretas acerca de uma (mentirosa) aplicabilidade do modelo de Aalborg à ESTGA (escola politécnica de Águeda) e pouco tempo depois, o mesmo discurso, a mesma treta, quando se criou com sangue, suor e lágrimas a ESAN (escola politécnica de OAZ).

Regressei ao local do crime em que me envolvi desde 2001, à data do meu compromisso com a erecção da escola em OAZ. Mau grado a pressão política que queria a toda a força, plantar o politécnico em Terras de Santa Maria, foi o discurso de Aalborg que impôs a Escola Aveiro-Norte naquela aldeia industrial de OAZ; não é impunemente que está ali a nata da facturação da indústria de moldes, mais ainda, é dali que saem todos os dias ‘comboios’ de camiões TIR plenos de componentes para a indústria automobilística europeia. Os politécnicos devem estar onde está o trabalho. E não me venham dizer que o trabalho é coisa de segunda categoria, pese o facto do Torneira Pinto ter levado uns quilos de ouro para casa só por ser expert em operações de offshore.

Deixemos a retórica dos reitores, que de Aalborg só sabem que se escreve com AA, e observemos o enunciado básico desse modelo:

“Interaction between Education, Research and Professional Practice”

Querem coisa mais linda para ornamentar a fachada dos nossos politécnicos?
Perdão… “Universidades de Ciências Aplicadas”.
Retirem-se as tabuletas, queime-se o papel dos ofícios, promovam-se novos cartões de apresentação, inundem-se os sites oficiais de trojans e spiders rancorosos, mas por favor, estudem o modelo de Aalborg.

terça-feira, 22 de abril de 2008

A outra face ESQUECIDA do Bologna Process

«Escreveu Dias Agudo, em Julho de 1967 (citado por Virgílio Machado):»
“…Aliás, estudos anteriores ao Ano Estatístico Internacional haviam mostrado já que os fluxos de ideias entre a Universidade e a Indústria, e entre a Universidade e o Sector Público têm sido muito reduzidos em quase todos os países da Europa. Nalguns tem havido mesmo a tendência para desligar toda a investigação científica de nível mais avançado das universidades e concentrá-la em institutos de investigação separados. Ora, a maior parte dos cientistas e responsáveis pela política científica concorda hoje que esta maneira de proceder tem sido um erro e defende uma maior concentração de actividades de investigação nas universidades e/ou em íntima ligação com elas.”

Só quem não anda por lá – nem que seja de quando em quando – é que não se apercebe que, desde Reitores/Presidentes, passando por Directores de Curso, ou «donos» de disciplinas, toda esta gente liga pebas a qualquer outra coisa que não esteja fisicamente amarrada à etiqueta AULAS.
Entre doutores e engenheiros chamamos AULA ao espaço físico onde se desenrola a instrução. Já os estudantes perguntam entre si, ao tomar o café da manhã, aí pelas quatro da tarde: Vais à AULA?
A AULA é o espaço de tédio, de aborrecimento, de chatice, onde nada ou quase nada acontece, tirando um ou outro irrequieto mobile mais inovador.
Quem quiser, pode mexer as tamanquinhas e ir ver duas ou três sessões de gente que ensina matemática ou biologia (p.ex.), aos miúdos com 12 ou 13 anos, por essas escolas fora da educação inferior. Vá ver e PF compare com o que se passa no dia a dia da educação superior.

Diz o «Bologna Process» num dos seus muitos documentos, por exemplo “The Glasgow Declaration” (2005), pág.ª 4, § 21: Universities assume their responsibility for providing a broad research-based education to students at all levels in response to society’s growing need for scientific and technological information and understanding.

E continua no § 22: Universities must exercise their own responsibilities for enhancing research and innovation through the optimal use of resources and the development of institutional research strategies. Their diverse profiles ensure that they are increasingly engaged in the research and innovation process, working with different partners.

Descodifique-se…
Traduza-se…
Incorpore-se na missão…

Dá trabalho? Claro, claro que dá trabalho!
Mas, os neurónios agradecem e a Alzheimer até pode regredir (nalguns casos…).

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Em Portugal, também é possível ir mais longe na área da Medicina e da Investigação…



Quem disse isto e coisas parecidas com esta, foi Sobrinho Simões. Disse isto recentemente, já em 2008. No site da Antena Um está lá um podcast datado de 17.Abril.2008 onde se pode ouvir um Homem da educação superior a falar de coisas sérias.

Façamos um breve intervalo para ler afirmações de Dias Agudo datadas de 1967, que
Virgílio Machado nos traz à superfície. Diz VM que são tendências actuais. Pois são Virgílio, pois são…
« as nações têm o direito de exigir de que a actividade científica de muitos dos seus investigadores seja posta ao serviço do progresso económico e social das populações. Mas, ao mesmo tempo que deve chamar-se a atenção dos cientistas para os projectos com maior probabilidade de contribuírem para esse progresso (interessando-os nos problemas a resolver por meio de subsídios de investigação, por exemplo), não deve coarctar-se a sua liberdade intelectual, o seu espírito de iniciativa, pois só num clima de liberdade se pode desenvolver o espírito criador indispensável a toda a investigação.»

Só esta recuperação do Dias Agudo, feita por VM dava «pano para mangas» para um tal Congresso!

Sobrinho Simões tem feito um percurso singular na escola do Porto.

Diz ele: “O Estado deve assegurar uma fracção substancial das verbas necessárias para a investigação científica básica (Se não for o Estado a fazê-lo, não sei quem será) e garantir que a distribuição dessas verbas é feita de acordo com critérios de avaliação internacionalmente aceites. Da indústria farmacêutica espera-se o estabelecimento de parcerias nos domínios da investigação científica aplicada e da inovação. O que é crucial, seja qual for o tipo de investigação é manter a exigência de qualidade e a competitividade em termos internacionais.”

Outra afirmação, de quem sabe, que dava seguramente mote, para outro Congresso. Ou será, que ainda é o mesmo congresso?!
Entretanto, como o Congresso ainda está longe, pode ler-se Sobrinho Simões, nem que seja para discordar, em http://apontamentos.blogspot.com/2008/01/manuel-sobrinho-simes.html

domingo, 20 de abril de 2008

Será que vai haver um tempo para o tempo da educação superior?


Por muito silêncio que se faça ouvir das pequeníssimas portas do MCTES e do seu vaidoso Ministro, já todos percebemos que a caixa de música fechou o trombone e assim ficará, até que os votos nacionais dêem sinal para nova corrida, nova viagem.

Assim se faz minúscula política à Portuguesa e não adianta chorar.

Maldosamente, vou andando por aí, lendo e ouvindo, já que só sábios não serão muito mais do que uma meia-dúzia: JCR, JVC, MJM, RN, VE, VM; que me perdoe a outra meia-dúzia na qual eu me incluo, obviamente.

O Vasco tem uma
escrita muita gira, que à primeira pode parecer um fait-divers, mas os mais interessados podem reconhecer sem esforço que a inovação nas ideias também pode ser colhida nas franjas dos economistas que adoptam teorias evolucionistas e etc. coisa e tal; mais, mais, é que o que escreve o Vasco dá para pensar. Vá lá, não acreditem naquela história mal amanhada, de que pensar gera vírus nos neurónios…

Regina olha para os
repolhos metafóricos dos politécnicos e adivinha o destino inexorável que vai ser ditado por geómetras e geógrafos que vão arrumar o technical puzzle de acordo com interesses de amigos, colegas e camaradas, verdes, amarelos, rosas, laranjas e outras frutas. Para que vão servir esses politécnicos reciclados, a quem vão servir esses politécnicos sem rugas nem ‘pneus’, provavelmente nem a Corporación Dermoestética, S.A será capaz de prognosticar.

JVC
inquieta-se com o que se (não) passa nas assembleias estatutárias das universidades, onde a palavra de ordem é seguramente a de que se deve bailar ao som do maestro que já dava música antes da mudança imposta por Zé Mariano. Se há coisa que os reitores sabem dar, essa é mesmo música.

Tenho alguma dificuldade em acreditar que estes 10 milhões de macacos, maioria dos quais sobrevive com 500 Euros/mês, precisa de 14 Universidades + 15 Politécnicos, todas estas escolas sob a categoria de públicas, quase todas sem prestígio, muito modestas, muito pudicas, muito apagadas, ainda a esboçar uma espécie de discussão sobre a validade do acto marianístico «daqui-lavo-as-minhas-mãos».
Mesmo dando de barato que não passo de um invejoso pelo elevado nível intelectual atingido por académicos de corpo inteiro, cujos calcanhares os mercenários como é o meu caso, nunca irão tocar, mesmo assim, digo eu:

-Isto anda pelas ruas da amargura!

Podemos enunciar um belo modelo muito british, sem politécnicos a empecilhar ruas e cidades.
Podemos babar-nos no seguimento de modelos mais gelados, hidrófugos e caucasianos como o sistema de educação superior finlandês.
Podemos acolher com mais ou menos orçamento, aquelas paroladas que o Zé Mariano de vez em quando emite sobre as alianças atlânticas, pagas só por um lado do mar e que servem não sei muito bem a quem, não sei muito bem o quê, hipoteticamente apenas a vaidade de quem paga.

Decididamente, parecemos & ‘semos’ todos, como aqueles miúdos dos grandes armazéns de crianças, que não sabem viver sem tutoria.

A generalidade das celebérrimas comunidades universitárias (das politécnicas nem um tugir, nem um mugir…) mudas e caladas, esperam, esperam sentadas, segurando as cadeiras com ambas as mãos à espera que a caravana passe. A caravana, os camelos e os ventos do deserto.
Pode não se gostar das personagens, mas quer António Nóvoa, quer Marques dos Santos, quer Maria da Nazaré, tentam pôr o barco a navegar. Só por isso, até por mor das vezes por ser sempre navegar contra a corrente, contra o mar da palha, contra o lodo e a modorra do deixa andar, eu nem que seja só por isso, sou dos deles.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Educação Superior «à procura do tecido regenerativo»


Este texto é uma manta de retalhos, construída ao arredio do que se instituiu como sendo o modo próprio do bloguista se exprimir. O «blogger» trabalha ao ritmo do desportista do ténis, batendo bolas à frequência do «sound byte» e à velocidade do meio de comunicação que privilegia.
Quis a minha fada madrinha que, recentemente, desiludido com muita pulhice que campeia nas aldeias fechadas da educação superior do meu país, tivesse abraçado um projecto internacional que me impeliu para terras distantes do Atlântico, com uma cultura diferente da minha e sobretudo, com um dia-a-dia em permanente mudança.
Essa mudança, tem ponto de partida no chamado contexto «da prateleira vazia», passa por uma inflexão dita «de bolsos vazios» e começa agora com uma curva de crescimento económico que interessa sobretudo Airbus, Boeing, DaimlerChrysler, IBM and so on.
Regressei a casa para vir buscar uns papéis de que me havia esquecido e trouxe 19 problemas no bolso. A agenda apontava para voltar aos Montes Urais no pós-Carnaval, mas a amálgama de interesses que cerca o chamado «dono» do projecto tem-me feito andar num corrupio entre Toulouse e Hamburgo. Pode parecer que estou a perorar em torno de um qualquer pivot só para encher balões, mas não é verdade. Um dos eixos estratégicos do projecto tem a ver com a capacidade regenerativa de todo o sistema aeroespacial da Rússia, incluindo obrigatoriamente as suas universidades técnicas. Na perspectiva do Big Business europeu está, obviamente, um país com 150 milhões de habitantes, mais o petróleo, o gás, o urânio, titânio, etc.etc.etc.; para os actuais governantes russos estão os €s do parceiro capitalista, mais as exportações, mais a recuperação do orgulho abalado por quilolitros de vodka despejados por alcoólicos públicos bastante democratas, ao longo de 15 anos.
Discute-se muito naquelas latitudes (54◦ Norte) e longitudes (56◦ Este) o tema da «capacidade regenerativa» das universidades técnicas e posso pôr as mãos no fogo que não se trata de conversa da treta, pois quer a Universidade da Aviação, quer a do Petróleo, abrangem três categorias de ciência: académica, educação superior e produção. Por isso o projecto ao qual estou afecto, possui obrigatoriamente estas três componentes.
Regressemos à Terra. Voltemos ao garimpo e procuremos o que se tem feito em Portugal nos caminhos da regeneração da educação superior: retenho três notícias que aparentemente (e não só) dão o mote sobre aquilo que se passa.
(1) Alguns Reitores juntaram-se em Castilla y León – não percebi, se para bater palmas de tango, se para discutir algum plano estratégico sobre a educação superior nessas partes da Ibéria.
(2) Marques dos Santos continua a «sua» marcha de consolidação na senda do «seu» plano estratégico. A universidade do Porto entre aquilo que o Reitor vai dizendo e os passos concretos do modelo que está a ser posto em prática é qualquer coisa que se me assemelha a uma caravana que passa entre «cães» calados, de rabo metido entre as pernas, não vá o Diabo tecê-las.
(3) A universidade de Lisboa (a do António Nóvoa) preparou-se para engolir o Politécnico da Cidade Grande. Pôs a toalha na mesa, levou a ementa para a cozinha e dispôs-se a papar os «pobres dos sacrificados».
Aquele Zé Mariano, numa de estraga tachos, pôs-se aos berros, diz que desligava o gás, apagava a luz, and so, and so.

O resto do povo está calado. Não morde nem deixa morder.
Gostava de ser mais optimista. É que, vem aí muito sangue e a faca vai direita a quem ladra e a quem está metido dentro da casota.
Estes rapazes e raparigas que estão no poder, não precisam de estratégia alguma para levar a cabo a sua estragação avulso.
Como dizia um meu amigo russo: «soestrobam»!!!

sábado, 12 de janeiro de 2008

30 dias; é muito tempo ?!

Para quem esteve trinta dias fora do meio, mesmo que se considere (geralmente) bem informado, a vaga fundacional faz ou não sentido?

Façamos um resumo de meia hora a surfar pela net cá do country.
Como diz JCR, isto vai ser um ano muito mais colorido do que eu pintava!
É óbvio, quem estava a chegar do frio, afinal era eu. Não sei porquê, mas cheira-me que um dia destes, estão lá todos, a fazer exposições na Gulbenkian lá do sítio.


Ensino: Sócrates anuncia aumento das verbas para o Superior
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou ontem ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas a intenção de aumentar as verbas para o ensino superior.
Segundo avança a edição desta sexta-feira do Diário de Notícias, a informação foi dada pelo ministro da tutela, Mariano Gago, que participou no encontro à porta fechada que decorreu no Palácio de São Bento.
«Foi uma reunião inicial, onde o senhor primeiro-ministro teve ocasião de anunciar aos responsáveis das instituições a intenção do Governo de dar mais prioridade, nomeadamente ao nível do Orçamento de Estado, ao ensino superior.»
Sem adiantar valores, o ministro explicou que «não se trata de aumentar de forma indiscriminada o orçamento das instituições», mas antes de «aumentar o volume global, de uma forma seleccionada e em função de metas concretas» pré-acordadas.
«No fundo, tratou-se de transmitir a prioridade na qualificação de mais jovens e a importância das instituições para esse objectivo.»
11-01-2008 9:13:28

Universidades: ISCTE avança com proposta para Fundação

O Instituto Superior de Ciências Sociais do Trabalho e da Empresa (ISCTE) decidiu hoje avançar com uma proposta de passagem a fundação pública de direito privado, tornando-se a terceira instituição de ensino superior do país a dar este passo.
No dia em que termina o prazo para as instituições de ensino superior apresentarem propostas para se constituírem fundações, e depois de já serem conhecidas as posições de todas as outras universidades e politécnicos, o ISCTE informou ter decidido por maioria avançar para as negociações com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES).
A Assembleia Estatutária do ISCTE, que se reuniu hoje, aprovou, com doze votos a favor, oito contra e uma abstenção, requerer ao Governo «a abertura de um processo negocial para eventual passagem ao regime fundacional», afirma a instituição em comunicado.
Durante o processo negocial, o ISCTE enviará ao Governo um estudo sobre as implicações dessa transformação na «organização, a gestão, o financiamento e a autonomia da instituição», acrescenta.
O instituto especifica ainda que a efectivação da eventual passagem ao regime fundacional fica sujeita à ratificação pela Assembleia Estatutária dos resultados da negociação com o Governo.
O ISCTE foi a última das três instituições de ensino superior que decidiram avançar já para a possibilidade de fundação a tomar essa decisão, depois de as universidades de Aveiro e do Porto terem avançado na terça e na quarta-feira, respectivamente.
As restantes onze universidades públicas, de um universo total de 14, rejeitaram para já essa hipótese, argumentando principalmente com a «indefinição da lei» quanto ao que é exactamente uma fundação pública de direito privado.
Algumas não fecham portas à possibilidade de avançar mais tarde para essa modelo - depois da revisão dos estatutos - mas outras afirmam rejeitar mesmo o modelo fundacional.
Quanto aos 15 Institutos Superiores Politécnicos do país, nenhum apresentou para já proposta para passar a fundação.
De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), há um primeiro momento previsto na lei - três meses após a sua entrada em vigor (10 de Janeiro) - para que as Universidades possam, se assim quiserem, manifestar a sua intenção de passar a fundação pública de direito privado.
Nestes casos, é interrompido o prazo necessário para a revisão dos estatutos, e iniciam-se as negociações com o Governo no sentido de verificar se há condições para essa transformação, explicou fonte da tutela.
O Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) prevê depois um segundo momento - oito meses após a publicação da lei (10 de Junho) - para as universidades que prefiram esperar pela revisão dos estatutos e só então iniciar negociações com o Governo.
Diário Digital / Lusa
10-01-2008 17:53:00


Universidades: Porto avança para fundação pública


A Universidade do Porto decidiu hoje, por maioria, avançar para as negociações com o Ministério do Ensino Superior sobre a constituição de uma fundação pública de direito privado, informou a instituição.
A decisão foi tomada em reunião da Assembleia Estatutária, embora com «algumas reservas», disse à Agência Lusa Raul Santos, do Gabinete de Comunicação da Universidade.
A instituição quer que seja «definido bem o regime de constituição das fundações», nomeadamente o financiamento e a autonomia das faculdades, adiantou.
Em comunicado, a Assembleia Estatutária da maior universidade do País manifesta «o interesse de, em princípio, aderir ao regime fundacional, dependendo a decisão final das negociações a estabelecer» com o Ministério, com vista «a assegurar um conjunto de compromissos, garantias e condições».
Essas condições, segundo a instituição, devem constar no «decreto-lei constituidor da fundação e no primeiro contrato-programa plurianual a assinar» com a tutela.
A decisão da Universidade do Porto, que concentra 14 faculdades, foi conhecida na véspera do fim do prazo definido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior para as universidades públicas, caso assim o entendam, apresentarem as suas propostas para se transformarem em fundações públicas de direito privado, no âmbito do novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, que entrou em vigor a 10 de Outubro.
Num universo de 14 universidades, apenas a de Aveiro decidiu avançar com uma proposta de passagem para o modelo de fundação, sendo que o Instituto Superior de Ciências Sociais do Trabalho e da Empresa ainda não comunicou a sua decisão.
Diário Digital / Lusa
09-01-2008 22:49:00

Universidades: Quase todas rejeitam modelo fundacional

Quase todas as universidades públicas vão passar por cima do primeiro prazo definido para apresentarem propostas de transformação em fundações (10 de Janeiro), deixando essa decisão para mais tarde ou para nunca, argumentando que a lei é vaga.
A Universidade de Aveiro é a única do país que já decidiu avançar com uma proposta de passagem para o modelo de Fundação pública de direito privado, uma decisão aprovada hoje pela assembleia estatutária.
De acordo com a reitora, Helena Nazaré, não estão ainda definidos os moldes de funcionamento da fundação e a proposta de base foi aprovada, mas «falta ainda compor o edifício».
Na próxima quinta-feira termina o primeiro prazo definido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino para as universidades públicas, caso assim o entendam, apresentarem as suas propostas para se transformarem em fundações públicas de direito privado, no âmbito do novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), que entrou em vigor a 10 de Outubro.
Contudo, de um universo de 14 universidades públicas, apenas uma decidiu avançar e duas (Porto e ISCTE) ainda não comunicaram a sua decisão, remetendo-a para o limite do prazo. Todas as outras adiaram para já essa possibilidade, e algumas rejeitam mesmo em definitivo o modelo fundacional.
É o caso da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), cujo Reitor, Ramôa Ribeiro, afirma não haver qualquer proposta nesse sentido e não ter qualquer intenção de ele próprio levantar a questão.
«Como Reitor da Universidade não vou levantar essa questão e ainda ontem [segunda-feira] se realizou a assembleia estatutária e a questão não foi levantada por ninguém», disse à Lusa Ramôa Ribeiro, lembrando ter havido inclusivamente uma proposta do presidente do Instituto Superior Técnico para que esta escola passasse a fundação, o que foi rejeitado por professores e estudantes.
Ramôa Ribeiro sustenta a sua posição argumentando que a UTL «tem uma história de grande autonomia das suas escolas» e que ao passar a modelo fundacional essa autonomia perde-se, pois «o poder fica muito concentrado na reitoria», uma ideia que não agrada às escolas.
Relativamente à Universidade de Évora, o reitor, Jorge Araújo, afirma que a assembleia estatutária só analisa no dia 23 o processo relativo à transformação em fundação pública de direito privado.
No entanto, ainda antes de a reunião acontecer, o reitor adianta que a sensibilidade dos integrantes da assembleia estatutária é «unânime», com a rejeição do modelo fundacional.
Também as Universidades Nova e de Lisboa afastam para já a possibilidade de se converterem em fundações, embora não fechem a porta a essa hipótese mais tarde, nomeadamente após a revisão dos estatutos.
Posição idêntica tem o Reitor da Universidade do Minho, António Guimarães Rodrigues, que não apresentará proposta alguma até dia 10, mas manterá a opção em aberto, pelo menos até que seja «publicada a necessária regulamentação e clarificação» da lei, que considera vaga.
«A opção pelo regime fundacional implica considerações sobre o modelo de gestão da instituição universitária, a verificação de condições técnicas da Universidade, a existência de garantias sobre o investimento fundacional e a garantia do financiamento futuro do Estado neste novo regime», afirmou Guimarães Rodrigues, sublinhando que a lei «não é esclarecedora sobre esta matéria».
Invocando igualmente a «indefinição da lei», o reitor da Universidade da Beira Interior (UBI), Manuel Santos Silva, adiantou que rejeita para já a possibilidade de passar a fundação.
«Para já, não nos interessa. Pelo menos enquanto não se souberem as regras do jogo, nomeadamente, como vai ser o financiamento dessas fundações e uma série de outros detalhes», explica o responsável.
Para o reitor da UBI, «o problema é que não se sabe o que é uma Fundação Pública de Direito Privado, tal como referida na lei», pelo que decidir agora seria dar «um tiro no escuro».
«Indefinição» é a palavra também utilizada pelo vice-reitor da Universidade de Coimbra António Avelãs que critica o facto de o RJIES ser pouco claro, afirmando que ninguém sabe o que são as fundações.
No caso das ilhas, as Universidades dos Açores e da Madeira optaram por não enveredar pelo caminho das fundações devido sobretudo a restrições orçamentais.
O reitor da Universidade dos Açores especificou não haver receitas próprias suficientes, ao passo que o da Universidade da Madeira argumenta que não só não obteve resposta da tutela à questão do financiamento, como considera não haver informação suficiente que permita dar esse passo.
A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) não tem qualquer intenção de mudar o modelo de funcionamento, assim como a do Algarve, cujo reitor adiantou que a actual manutenção do estatuto da universidade não inviabiliza uma nova análise da situação nos próximos meses.
De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), há um primeiro momento previsto na lei - três meses após a sua entrada em vigor (10 de Janeiro) - para que as Universidades possam, se assim quiserem, manifestar a sua intenção de passar a fundações públicas de direito privado.
Nestes casos, é interrompido o prazo necessário para a revisão dos estatutos, e iniciam-se as negociações com o MCTES com vista à passagem a fundação, explicou fonte da tutela, acrescentando porém que a manifestação de vontade por parte das universidades não significa que o modelo fundacional venha a ser adoptado, pois «o Governo pode até entender que não há condições para essa mudança».
Diário Digital / Lusa
09-01-2008 7:30:00

UC deverá adiar decisão sobre eventual passagem a fundação

A Universidade de Coimbra deverá ultrapassar o prazo estipulado pelo Governo para comunicar se quer ou não transformar-se em fundação pública de direito privado, admitiu hoje o vice-reitor Avelãs Nunes.
«É minha convicção que não vai haver nenhuma posição nesse sentido e que não há hipótese de a assembleia estatutária decidir [dentro deste prazo] abrir as negociações para iniciar o processo de transformação em fundação pública de direito privado», adiantou Avelãs Nunes, ao acentuar «a indefinição» do novo regime jurídico.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior estipulou o prazo de quinta-feira para as instituições do ensino superior comunicarem se pretendem ou não transformar-se em fundações públicas de direito privado.
A assembleia estatutária da UC reúne-se no dia em que expira este prazo, numa das várias reuniões que estão a realizar-se no âmbito do processo de elaboração dos novos estatutos da Universidade.
«A minha expectativa é que o reitor não o vai propor no dia da reunião da assembleia estatutária», disse Avelãs Nunes à agência Lusa, adiantando que a transformação em fundação não figura na agenda dos trabalhos enquanto ponto autónomo.
O vice-reitor disse também não ter qualquer indicação de que haja movimentações no seio da UC no sentido de esta mudança de estatuto ser proposta até quinta-feira.
«Para além de outras razões, os universitários dizem que é um salto no escuro, ninguém sabe o que são as fundações», sustentou Avelãs Nunes.
O professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra critica a indefinição patente no novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES) relativamente ao modelo da fundação, considerando-o «pouco claro».
Por seu turno, o presidente eleito da Associação Académica, André Oliveira, reiterou a sua oposição ao Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior e manifestou-se «totalmente contra» a possibilidade de as universidades se transformarem em fundações.
O dirigente disse temer «privatizações de cantinas, residências e da própria Universidade», entendendo que «o próprio ensino público e as suas vantagens são postos em causa» com a nova legislação.
Diário Digital / Lusa
07-01-2008 11:44:07

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Fundacionismo «sem surpresa»

From: "Reitoria"
Sender: "Lista Geral da UA - SRE" ,

DELIBERAÇÃO DA ASSEMBLEIA ESTATUTÁRIA
Date: Tue, 08 Jan 2008 17:30:30 +0000

Caros membros da comunidade académica,

Como é do Vosso conhecimento a Universidade de Aveiro constituiu a Assembleia Estatutária prevista no Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), Lei n.º 62/2007 de 10 de Setembro, órgão que tem a atribuição de aprovar os novos estatutos da UA. Esta Assembleia detém, também, competência para solicitar à Tutela uma eventual transformação da Universidade de Aveiro em fundação pública com regime de direito privado.

Tendo presente a importância destas decisões para o futuro da nossa Universidade foram promovidas amplas iniciativas de debate, nos últimos quatro meses, que incluíram, designadamente, dois conjunto de reuniões com todas as unidades orgânicas e serviços da UA e o próprio processo eleitoral conducente à constituição da Assembleia. Realço, aqui, a elevada participação de toda a comunidade neste processo, facto que revela bem o dinamismo e a vontade de contribuir para a afirmação e para a melhoria contínua da UA.

Em reunião hoje realizada, a Assembleia Estatutária deliberou submeter um dossier à Tutela, até ao dia 10 de Janeiro de 2008, com o propósito de aferir e ponderar a eventual viabilidade, e os respectivos termos de verificação, da apresentação de proposta de transformação da Universidade de Aveiro em fundação pública com regime de direito privado.

Foi entendimento da Assembleia que esta decisão permitirá a análise, pormenorizada, dos contornos de tal regime e das implicações da sua eventual adopção, reduzindo assim as incertezas que até ao momento subsistem e propiciando, em conformidade, uma decisão final mais informada. Deste modo, a Assembleia irá continuar os seus trabalhos de acordo com duas linhas de actuação: a discussão sobre os novos estatutos, por um lado, e o diálogo com a Tutela sobre o projecto da UA e sobre o enquadramento fundacional, por outro.

Tomada esta primeira decisão é imprescindível manter o debate interno sobre estes assuntos, continuando assim a desenvolver, em conjunto e de forma partilhada o projecto da UA.

A Reitora,

Maria Helena Nazaré

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Quando a descrença penetra…


Correio da UA
Conselho Pedagógico cpedagogico@adm.ua.pt
Sender: "Docentes / Lista Geral da UA" docentes-list@ua.pt
Subject: [DOCENTES-LIST] Workshop Prof. Mitchell
Date: Tue, 04 Dec 2007 11:17:52 +0000
To: docentes-list@ua.pt

Caros Colegas
Venho realçar a relevancia do tema da workshop de amanhã, quarta-feira 5 de Dezembro, 14h30m-18h, Sala de Actos do edifício da Reitoria.
Com a recente criação da Agência Portuguesa de Acreditação iniciar-se-á, em breve, a acreditação de todos os programas de formação.
O conhecimento da experiência alemã, em que a acreditação segue um modelo próximo do português, ser-nos-á decerto muito útil.
Acresce que o Prof. Terry Mitchell, mercê do seu envolvimento muito activo no projecto Tunning tem também um conhecimento profundo das discussões e modelos seguidos na generalidade dos países europeus.
Apelo pois à participação do maior número possível de interessados na workshop.
Para os que ainda o não fizeram, devem enviar uma mensagem para mcmaia@ua.pt , manifestando interesse em participar na workshop.

Saudações académicas
António Ferrari
…………………
……………………………
Até Eu, crente, me surpreendo a pensar com os meus botões:
- Mas qué qu'eu lá vou fazer??? A Sala de Actos até só tem 90 lugares.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Publicidade institucional

Modelos fundacionais para instituições de ensino superior em discussão na UA

Ciente da importância das transformações em curso que a Lei Nº 62/2007 de 10 de Setembro vem introduzir no sistema de ensino superior em Portugal e no contexto internacional, a UA, em conjunto com as universidades públicas portuguesas com assento no Conselho de Reitores, promove um seminário sobre Modelos fundacionais para instituições de ensino superior. Pretende-se com esta inicitiva, agendada para 23 de Novembro, às 10h00, na Sala de Actos Académicos, proporcionar uma oportunidade de reflexão e debate sobre as características, vantagens e problemas destes modelos. A participação está aberta a toda a comunidade académica.


Em toda a Europa existe um envolvimento crescente das Universidades no processo de construção de uma economia forte baseada no conhecimento. As reflexões que ocorrem em diferentes instâncias, da Comissão Europeia à Associação Europeia das Universidades, apontam para a necessidade de modernização das instituições de Ensino Superior, com o objectivo de lhes permitir dar maiores contributos e ter maior eficiência na implementação das acções necessárias à atinência dos objectivos preconizados na Agenda de Lisboa. Deste modo, os diferentes modelos de organização e de governação destas instituições são elementos essenciais que importa analisar.

A Lei Nº 62/2007 de 10 de Setembro, que estabelece o regime jurídico das instituições de ensino superior, prevê a possibilidade de transformação das instituições de ensino superior públicas em fundações públicas com regime de direito privado. Em Portugal não existe experiência sobre este novo enquadramento jurídico e quanto ao modo da sua implementação e do seu funcionamento.

PROGRAMA

10h00: Apresentação do seminário pela Prof. Doutora Helena Nazaré, Reitora da Universidade de Aveiro

10h10: Prof. Doutora Christina Ullenius, Vice Presidente da European University Association

10h30: Prof. Doutor Pedro Ramos, Professor Associado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

10h50: Prof. Doutor Alberto Amaral, Director do Centro de Investigação em Políticas do Ensino Superior

11h15: Debate moderado pelo Prof. Doutor Júlio Pedrosa

Prof. Doutora Christina Ullenius
Vice-Presidente da European University Association, lugar que ocupa desde 2005, vem desempenhando um papel activo nas reflexões sobre o papel das universidades. É doutorada em Tecnologia (Química Orgânica) pela Universidade de Chalmers (Suécia). Ocupou o cargo de Vice-Reitora desta instituição, entre 1989 e 1994, fase durante a qual a universidade passou a um modelo funcional. Foi Reitora da Universidade de Karistad de 1995 a 2006. Desempenhou diversos cargos no domínio do Ensino Superior, entre os quais Presidente da Associação Sueca de Ensino Superior, membro do conselho da Associação Nórdica de Universidades, relator geral da Conferência da EUA e membro designado para o European Forum on University-Based Research.

Prof. Doutor Pedro Ramos
Professor Associado com Agregação da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, e coordenador desta instituição no Gabinete Inter-universitário de Apoio ao Desenvolvimento Estratégico. Tem desenvolvido actividade na área da economia e das contas públicas: membro do grupo de trabalho do Instituto Nacional de Estatística (INE), que sob encomenda do EUROSTAT aplicou a Portugal, em 1998 e 1999, a título de experiência piloto, a metodologia de regionalização das Contas das Administrações Públicas; membro da representação do INE no Conselho Superior de Estatística, por indigítação do Presidente do INE (2001-2003)-, consultor do Projecto de Reforma das Contas Nacionais de Cabo Verde (2002). É membro do Conselho da Profissão da Ordem dos Economistas, do Secretariado de Redacção de Notas Económicas - Revista da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e do Comité Editorial da Revista Portuguesa de Estudos Regionais.

Prof. Doutor Alberto Amaral
Director do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior. Ocupou o cargo de Reitor da Universidade do Porto, entre 1986 e 1998, tendo desempenhado igualmente diversos cargos em instituições internacionais com actividade na área do Ensino Superior, entre os quais Presidente da direcção do CHER (Consórcio dos Investigadores do Ensino Superior) e Vice-Presidente da Comissão Coordenadora da Avaliação Institucional da EUA. Membro da Associação Internacional dos Presidentes das Universidades (IAUP), da direcção do programa de Gestão Institucional no Ensino Superior (IMHE) da OCDE, da Sociedade para a Investigação no Ensino Superior (SHRE), da Sociedade Europeia do Ensino Superior (EAIR), entre outras. Editor e co-editor de vários livros, incluindo: Goveming Higher Education: National Perspectíves on Institutional Govemance (2002), The Híiher Education Manageiial Revolution? (2003), Markets in Higher Education: Rhetofic or Reality? (2004) and Retorm and Change in Higher educatíon: Analysing Policy Implementation (2005).

Prof. Doutor Júlio Pedrosa
Professor Catedrático do Departamento de Química da Universidade de Aveiro, é investigador do Centro de Investigação em Políticas do Ensino Superior (CIPES) e do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO). Vem tendo uma intervenção destacada em matéria de política de educação sendo actualmente Presidente do Conselho Nacional da Educação, desde Julho de 2005, e Presidente do Conselho Executivo da Fundação das Universidades Portuguesas. Foi Ministro da Educação, de 3 de Julho de 2001 a 5 de Abril de 2002; Reitor da Universidade de Aveiro, de 1994 a 2001; e Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, entre 1998 e 2001. É também membro da equipa de avaliadores do Programa de Avaliação Institucional da EUA.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Actividades conjuntas UA-Bosch

Universidade de Aveiro e Bosch Termotecnologia, SA promovem programa conjunto
A Universidade de Aveiro e a Bosch Termotecnologia, SA avançam, em Novembro, com um programa de colaboração que visa a dinamização de actividades conjuntas para a aquisição e troca de conhecimentos nas áreas fortes das partes. A primeira fase desta cooperação tem início dia 21 de Novembro, envolvendo 20 alunos do Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, ministrado pela Universidade de Aveiro.

Através de um workshop, a realizar nas instalações da empresa, os alunos da UA vão poder proceder à resolução de um caso-problema da área da qualidade. A segunda actividade realizar-se-á dia 5 de Dezembro, na UA. Uma «Aula de Especialista» sobre um tema prático e inovador irá contar com a participação de um especialista da Bosch Termotecnologia, SA.
Se a UA considera fundamental potenciar a formação dos seus alunos através do envolvimento em actividades práticas, integradas num programa estruturado e ancoradas no mundo real das empresas, igual opinião tem a Bosch Termotecnologia, SA que diz também ser seu objectivo dar a conhecer a empresa como um empregador de eleição e divulgar programas especiais de estágio ou recrutamento.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

campanha eleitoral está em marcha


Eleições à Assembleia Estatutária:

Aprovado o Regime Jurídico para as Instituições de Ensino Superior (RJIES), as universidades estão a adaptar os seus Estatutos à nova Lei. Na Universidade de Aveiro, as listas de candidatura à Assembleia Estatutária já estão publicadas, decorrendo agora, entre 14 e 20 de Novembro, a campanha eleitoral. As eleições estão marcadas para 22 de Novembro.

O manifesto dos quatro grupos que compõem as duas listas (A e E) dos candidatos do Corpo de Professores, Investigadores e outros docentes e investigadores estão disponíveis para a comunidade académica em http://www.ua.pt/gaqap/uaemmudanca/

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Universidade de Aveiro entrega prémios e diplomas aos graduados dos CET


A Universidade de Aveiro organiza, às 18h00 desta segunda-feira (12 de Novembro), no auditório da Reitoria, a cerimónia de entrega de diplomas aos 260 novos graduados dos Cursos de Especialização Tecnológica (CET) promovidos pela Escola Superior de Design, Gestão e Tecnologia de Produção Aveiro Norte (ESAN), Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA) e Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Aveiro (ISCA-UA). Na mesma sessão, presidida pela Reitora, Prof. Maria Helena Nazaré, vão ainda ser entregues os prémios escolares aos melhores alunos dos CET da ESAN.

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Para além da entrega de diplomas aos 260 alunos que concluíram os seus cursos nas várias escolas associadas da UA, os estudantes vão, também neste dia, ser reconhecidos pelo seu desempenho escolar. Aos sete melhores caberá um prémio pecuniário, financiado por várias instituições e empresas onde as escolas estão sedeadas.

A Molarte Colchões, SA vai premiar o melhor aluno dos Cursos de Especialização Tecnológica, em funcionamento na ESAN. A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha distinguirá o melhor aluno do Curso de Especialização Tecnológica, em Tecnologia Mecatrónica, leccionado em Albergaria-a-Velha, a GROHE Portugal contemplará o segundo melhor e a Associação Industrial do Distrito de Aveiro o terceiro melhor aluno do mesmo curso. A Câmara Municipal de Sever do Vouga premeia os três melhores alunos do CET de Instalação e Manutenção de Redes e Sistemas Informáticos, leccionado naquela cidade.

Recorde-se que os CET surgiram na UA no ano lectivo 2002 – 2003, na ESAN, e estenderam-se, para além das escolas politécnicas que os promovem, praticamente a todos os concelhos do distrito de Aveiro, resultado de parcerias com entidades locais. Compreendem uma variante formativa em sala de aula, com uma duração média de 860 horas, durante um ano, e englobam as componentes de formação geral, científica e tecnológica, complementada pela formação em contexto real de trabalho. Esta vertente tem uma duração de 540 horas (entre três e seis meses) e decorre em várias empresas do distrito de Aveiro.

Os Cursos de Especialização Tecnológica em funcionamento estão especialmente orientados para a imediata inserção profissional dos alunos, mas também creditam para um eventual prosseguimento de estudos superiores. A conclusão de um CET, com aproveitamento, confere um Diploma de Especialização Tecnológica e creditação para prosseguimento de Estudos Superiores, podendo dar acesso a um Certificado de Aptidão Profissional de nível IV, reconhecido a nível europeu.

Os 260 graduados que esta segunda-feira vão receber o diploma, estão assim distribuídos:
ESAN – 230
ESTGA – 18
ISCA-UA – 12

terça-feira, 25 de setembro de 2007

CERI (2006) – cenários – Segunda sessão


A Comissão Europeia y sus muchachos, ao longo do programa de trabalho para a educação e formação 2010, fez dele um alfobre de comunicações e recomendações sobre a necessidade (evidente) de adequação e modernização das instituições europeias de educação superior. Mesmo que grande parte da produção esteja escrita em europês, já consegui com pequeno esforço, extrair ideias legíveis.

Como fazer para que os financiamentos sejam usados com eficácia?
Como se consegue que Us & Ps obtenham fluxos de caixa adequados e sustentáveis?
Como conquistar autonomia e reconhecimento profissional quer no âmbito académico quer na actividade administrativa?
Como é possível tomar parte na corrente ascendente e pairar lá em cima no tecto do sistema?
Como estar de bem com o Processo de Bologna e ao mesmo tempo com a sociedade do meu país?
Como participar no suprimento das necessidades & estratégias locais e regionais?

Não tenho coragem (embora seja mentiroso) para afirmar que as propostas adiantadas pelo CERI (2006), mesmo tendo o carimbo da OCDE, sejam uma espécie de sina para o futuro. Podemos antes, ler, analisar, criticar, sugerir hipóteses que reflictam perspectivas diferentes susceptíveis de servir como uma base para a acção.

O primeiro cenário tem por etiqueta «rede aberta» e nele, a educação superior faz parte de um tabuleiro internacional, onde as peças são representativas de numerosas e grandes instituições. O princípio orientador tem muito a ver com a cooperação voluntária e menos com a concorrência entre Us & Ps. Os estudantes, agem com bastante liberdade, desenham o currículo dos seus estudos, escolhem cursos sejam presenciais, sejam ‘on line’, podendo recorrer mesmo ao GoogleMap para seleccionar os sítios que os certificam (a eles, estudantes). O inglês é a língua ‘franca’ para a educação superior.
O trabalho de investigação também é realizado em redes ou através de redes de cooperação, obrigando (aqui, ninguém é parvo), no entanto, a uma estrita hierarquia de instituições de sumo prestígio, possuidoras daquele aroma atraente de mel, projectos e fundos muitos.

O segundo cenário recebe a denominação de «serviço às comunidades locais» e aponta para um posicionamento orientado para a satisfação de necessidades de âmbito regional e nacional. O seu financiamento e administração são de cariz predominantemente público e apenas uma pequena elite destas universidades está vinculada às redes internacionais de investigação, mais prestigiadas. A grande maioria do grupo, dedica-se a actividades de docência e desempenham um papel menor no circuito das tarefas de I&D. Possuem uma boa relação com a indústria local, para quem desenham programas de formação e actualização e são muito activas no seio da cultura praticada pela população envolvente. A investigação universitária está muito comprometida com o tipo de ciência ‘gama’ voltando-se para as ciências sociais e para as humanidades, obviamente menos custosas em termos financeiros. As ciências ‘alfa’ e ‘beta’ são desenvolvidas por institutos públicos integrados em redes de cooperação internacional.

Temos ainda o terceiro cenário, «nova gestão pública» que mantém o financiamento público às instituições de educação superior, porém, com forte ênfase em novos sistemas de gestão que respondam às chamadas forças do mercado e com incentivos financeiros. Ainda que o financiamento público continue a ser determinante, existe ampla autonomia para desenvolver o modelo de negócio, atraindo estudantes estrangeiros, estabelecendo o valor das propinas (taxas), patenteando os resultados da investigação efectuada e aprofundando vínculos com a comunidade empresarial de modo a diversificar as fontes de receitas. A separação entre sector público e privado na educação superior desaparece praticamente, já que ambos os tipos de instituições concorrem entre si pela atracção dos recursos do sector privado e pelas inscrições dos estudantes que, com a liberalização, acabam por dar cobertura à maior parte dos custos de funcionamento das escolas. Há maior nível de diversificação do sistema educativo e, portanto, de especialização, de diferenciação entre as instituições. A principal vantagem competitiva reside na reputação da investigação académica realizada, ainda que também se considerem outros factores como a qualidade do ensino e a empregabilidade dos novos graduados. Os recursos para levar a cabo projectos de investigação são públicos e conseguem-se, nomeadamente através de projectos competitivos tanto a nível nacional como europeu. Prestação de contas, auditorias, transparência, eficiência, eficácia, capacidade de resposta e visão do futuro, são os principais factores para boa gestão pública das instituições.

Quarto cenário: «Educação Superior, SA» corresponde a um mercado totalmente liberalizado e globalizado, da educação superior. As Us e os Ps concorrem à escala mundial no mercado de serviços docentes e de investigação. Cada uma especializa-se no que sabe fazer melhor e concentra-se na comercialização dos serviços derivados das suas competências básicas, quer seja no âmbito da docência, quer seja no âmbito da investigação. Há uma forte concorrência para atrair estudantes e muitas universidades abrem campus no exterior e é frequente o franchising de programas educativos. Coloca-se uma crescente divisão internacional do trabalho, com a especialização de alguns países, como a China e a Índia, em determinados segmentos da educação superior. A investigação tende a concentrar-se a nível internacional (M.I.T. e Fraunhofer, p.ex.) e há uma forte concorrência para contratar os melhores investigadores. Os rankings internacionais jogam um papel muito importante no posicionamento competitivo dos centros de educação. O inglês converteu-se no idioma da investigação e dos estudos de pós-graduação, enquanto que as linguagens nacionais se mantêm nos estudos de graduação e profissionais.

NOTA TÉCNICA:O dono do blogue procurou manter a fidedignidade do texto original de um resumo dos cenários propostos no CERIS (2006). Como observação pessoal, direi que se nota nos últimos desenvolvimentos levados à cena pelo MCTES, uma proposta de futuro que contem alguns elementos de cada um destes cenários em âmbitos diferentes. Em qualquer caso, seja qual for este elemento, implica um importante desafio estratégico para as universidades e politécnicos actuais, que – a bem ou a mal – vão ter que se preparar para afrontar os ventos e marés proporcionados por estas alterações climáticas, e de uma vez por todas perceber que é preciso afrontar a nova realidade mediante a implantação de modelos de direcção estratégica que lhes sejam mais adequados.